sábado, 31 de outubro de 2009

Primeiros passos...


Não, não sou tão velha. Mas a expressão “na minha época” cai bem em algumas situações. Hoje posso dizer, em alguns casos, que sou de uma época em que Igreja era coisa de beata e padre, e só. Nesse caso, época da infância, é louvável dizer “na minha época”.
Bem, na verdade se era ou não, não sei. Afinal criança não tem muita noção de certas coisas. Mas lembro bem que eu não via jovens na Igreja. Tanto que cresci com certa dificuldade de me ver inserida nessa realidade. Não por falta de convite ou desejo da minha genitora. Mas se fosse o caso, queria abraçar a fé por mim mesma, não pelo desejo de outros, mas por mim. Para não correr o risco de culpar ninguém depois, no caso de me frustrar.
Assim, como de súbito, desejei, com um desejo ardente e inquietante, participar daquela Igreja onde cresci e dei meus primeiros passos na fé.
Tomei coragem e abracei-a. Tomei-a para mim.
Lá, amadureci para a vida em todos os seus aspectos; tive o coração esmagado muitas vezes por fugir alguns padrões, adquiri firmeza no falar, aprendi a nunca voltar atrás por fraqueza, fiz amigos para a vida inteira. Cultivei amores e desamores. Percebi que Ela é infalível mas constituída de homens falíveis. Descobri que não importa o que se fez, se até as pedras mudam, quem dirá nós.

Hoje olho a vida com mais esperança. Creio no que não vejo, antes não era assim. Choro de alegria e de dor, não detenho mais as minhas lágrimas. Construí, a passos lentos, um coração tão amoroso quanto justo. Fiz das minhas cicatrizes marcas do Eterno, lembranças da minha edificação. Minha nostalgia não é de todo melancólica, se alterna com uma saudosa vontade de viver de novo o passado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

The Carnival is Over - Dead Can Dance.

Antes de começar a escrever esse artigo pro "Blógui", abri nova postagem e fiquei aqui olhando pra esse quadro retangular em branco esperando que as palavras adivinhassem meu pensar, e criassem vida sem mim. Mas não. Elas são teimosas e insistem em precisar do meu sentir para tomar forma. Decidi ouvir Dead Can Dance e lembrar da segunda, voltando da praia. E vi um filme em preto e branco na minha mente flutuante e alternativa: um Chevrolet numa estrada, Moinhos de Vento sendo ventados, Salinas sub-divididas, Dead Can Dance alternando trilha sonora com Coldplay. Clima ameno, céu nublado, cheiro de nostalgia, saudade do que ainda não foi vivido. Duas garrafas de água mineral, bala halls pra garantir uma estabilidade ao longo da viagem, fotografias para a eternidade, árvores secas. Sorrisos, interjeições e carinho. Três vidas, duas horas, um macaco e uma saudade.

A felicidade é uma esfinge que mora dentro de nós. Descubra-a!

sábado, 24 de outubro de 2009

De que se precisa para ser feliz?

Pergunta ingênua mas intrigante. Depende de um monte de coisas. Mas é fato que nos coloca para pensar. O que pensamos ser pouco para nós pode ser riqueza sem fim para o nosso próximo.

É mistério!

E eu, de quê preciso para me sentir feliz?

Gosto de me sentir segura com relação aos meus passos, meus caminhos, meu coração.

Isso me dá felicidade.

Felicidade é ter com quem contar, e isso, não nego, eu tenho!



"Junto a ti, não temerei. Grandes vales e montanhas atravessarei."

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Menina com a Flor


Minha relação com Vinícius de Moraes sempre foi cheia de altos e baixos. Como não poderia deixar de ser para alguém da minha geração, meu primeiro contato com o poeta se deu através dos sonetos ( de Fidelidade e de Separação, claro). Aos 12 anos eu era uma romântica daquelas à moda antiga, talvez eu nunca entenda bem o motivo. E a única coisa que tinha para oferecer aos meninos da minha idade era minha letra bonita. Passei então algumas tardes copiando caprichosamente versões dos sonetos para os carinhas da escola que faziam bater mais forte o meu coração - apenas dois ou três, afinal eu era uma romântica. Mas o tempo passou e eu me divorciei do "poetinha". O apelido pejorativo dado a Vinícius passou a fazer todo o sentido para mim quando conheci a dureza de Augusto dos Anjos, a nostalgia melancólica de Manuel Bandeira e a genialidade esquizofrênica de Fernando Pessoa. Com o tempo, ler um soneto passou a ser como folhear um jornal muito velho. Abaixo a rima e a métrica, viva o concretismo sempre tão urbano! Mas não devemos nos apegar aos livros, não é verdade? Não podemos vê-los como objetos colecionáveis simplesmente. A palavra não pode ficar aprisionada em uma estante. A crônica precisa ter asas e chegar ao maior número possível de pessoas. Tive a prova disso quando conheci, não faz muito, alguém que, além de adorar Vinícius de Moraes, traz em si toda a doçura e beleza que o poeta viu em suas tantas musas. Ela bem poderia ser a menina com uma flor da qual Vinícius fala. E este livro precisava ser dela. Sempre tive um pouco de vergonha de presentear alguém com trechos de um livro assim, mas a emoção e a alegria dela ao receber o presente e todas as provas que ela já me deu da adoração pelo escritor só me fazem ter certeza de que não existem livros velhos e de que as palavras não envelhecem nunca. Sempre haverá uma menina com uma flor em algum lugar, pronta para receber algo que tenha sido escrito para ela.


Para mim, por Tay Marquioro.

[Ela é a menina, eu sou a flor dela]

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ela. só ela.

Tens a singeleza e a docilidade da mãe de Deus;
Tens a alma que mais admiro e mais anseio parecer;
Tens o olhar que faz o infinito parecer pequeno.

És quem mais me educa;
És quem não me deixa só;
És minha alma, mas não habita em mim.

Sabes de tudo sem que eu profira uma palavra;
Me conheces do avesso;
E sei, tens de mim a mesma necessidade que tenho de ti.

És o calor de uma manhã de inverno;
És o perfume das chagas do Senhor;
És o amor que transcende tempo, lugar e vida.


És o abraço que vou desejar, simplesmente, a vida inteira sem poder ter.

Obrigada, Meu Deus por me dar Ela: Minha Teresinha.