Dois-mil-inove. Onze de novembro. Aproximadamente às 10:20pm, apagão no sudeste e parte do restante do Brasil.Pensei, escrevi: Quando falta luz a maioria das pessoas dizem a mesma coisa: 'não posso fazer nada sem luz!'
Ledo engano!
Quantas coisas podemos fazer quando falta luz... É um bom motivo para reunir a família em torno das velas, contando histórias, piadas ou o que aconteceu ao longo do dia.
Podemos ainda dar um tom medieval aos escreitos e estudos ao fazê-lo sob a luz do fogo, pode-se fazer um momento orante, fazendo subir as preces aos céus como o incenso. Pode-se ouvir música. Ou mesmo curtir a escuridão, pra quem gosta e não teme o escuro e seus assombros.
** Cá estou eu. Ouço só os grossos pingos dessa chuva de pós-dia-muito-quente, aqui dentro ainda é uma noite-muito-quente. Sento-me no sofá de dois lugares da sala. Á minha direita tem um espaço não preenchido e à esquerda, no braço do sofá, meu caderno, ao lado, a cadeira com uma caneca virada e duas velas me fazendo luz. Tem ainda com um copo [já vazio] sobre um descanso do outback.
Ao olhar em meu redor, vejo as sombras dos objetos que se mexem com o mexer da fumegante chama das velas. As mulheres da casa já se deitaram. Sinto a casa só minha, no silêncio abafado de dentro, no quase gotejar da chuva de fora o sono se apressa e eu me rendo.